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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Rotina, sonhos e um pedido especial




Quase sete meses em terras germânicas, cada dia mais apaixonada pelo outono alemão, suportando bem o frio e ficando desesperada com o céu completamente escuro às 18h. E sei que o frio vai ficar pior e ainda vai escurecer mais cedo. Mas por enquanto estou aproveitando os dias lindos com tantas cores que nunca tinha visto antes nessa estação!

Foto do Instituto, enquanto esperava o ônibus.
Não tive tempo de escrever no blog nos últimos dias, finalmente minha rotina está tomando forma e ficando apertada com os deadlines de congressos chegando, primeiro relatório da bolsa e nova reunião para discutir meu projeto. Além, é claro, das reuniões quinzenais do grupo, aulas de alemão e uma nova disciplina da orientadora: “Biomecânica do Movimento” – em alemão.
A combinação doutorado e morar fora do país traz uma experiência inigualável! Por incrível que pareça, tenho me tornado cada dia mais organizada (no trabalho, minha casa continua uma bagunça) e finalmente estou conseguindo lidar com agenda e horários. Bom, a pontualidade, em parte, também é culpa da Alemanha, me obrigando a adotar rotina rígida de horário por conta do transporte público: todos os dias pego o trem às 7:08 para a estação central, são só dois minutos, mas o trem seguinte (7:15) vive atrasado, e na estação central o trem sai às 7:22 para Aachen (e esse eu não posso perder). Depois de 1h15 de viagem (chego pontualmente 8:37) pego um ônibus pro trabalho, que felizmente passa a cada 2-5 minutos. O campus é espalhado por toda cidade, como meu instituto não fica na parte central, não dá para ir à pé. Saio do trabalho e pego ônibus em frente ao instituto 17:04 para pegar o trem das 17:19. Chego (nem sempre) pontualmente às 18:34 na estação central, se eu correr, consigo pegar o trem das 18:37 na outra plataforma, se não, pego o metrô às 18:42. Poderia caminhar, são só 12-15 minutos, mas não.
Todos os dias tenho 3 horas de ócio enquanto estou no trem ou na estação esperando pelo trem, dependendo da minha noite de sono, durmo antes do trem começar a se movimentar e só acordo na minha estação. Não me perguntem como nunca perdi a estação.  Mas nas outras, ou eu leio algum livro completamente alheio ao universo acadêmico ou navego no facebook.
Acreditem, tenho tempo pra caramba pra ler o tanto de baboseira que todo mundo escreve, pra desfazer amizades e bloquear perfil de “malucos” que infelizmente não posso excluir. Um desses acusando os bolsistas Ciência sem Fronteiras (CsF) de receber “bolsa vagabundo”. E de votar na Dilma por medo de perder a mamata. E de ser fácil torcer por ela enquanto escolhi outro país para morar.
Bom, pra começar: eu nem votei esse ano. Mas tenho me interessado mais por política sim, aqui é um assunto comum para se ter na mesa do almoço, civilizadamente. E é muito mais fácil me manter neutra sem a mídia brasileira vomitando suas verdades parciais. Sinceramente, eu não me importo com o posicionamento político de ninguém, mas com as chatices e falta de respeito sim. Também não me importo com as opiniões sobre bolsa CsF, nem com a bolsa família, que tão constantemente tenho postado no meu perfil para INFORMAR. Percebi que existem pessoas que não se importam com as verdades e dados estatísticos, mas com suas próprias verdades e boatos do facebook.
Enfim, ao que me perguntaram sobre viver na Alemanha, porque não vão conseguir viver em um país que sustenta tanto vagabundo (Brasil), saibam que aqui é um país que sustenta ainda mais vagabundo: mães recebem dinheiro antes e depois do parto, durante o primeiro ano da criança parte do seu salário (67% se não me engano) ou se não trabalhar recebe pelo menos 300 euros, 75 euros por filho com até 3 anos fora todos os outros auxílios assistenciais – os que eu citei independe de você ser pobre ou não. Meu namorado recebe uma bolsa esmola até hoje!
Meu sonho sempre foi morar fora do país, preferencialmente na Europa. Ou melhor, na França. Temporariamente (amo o Brasil!). Investi no meu francês por alguns anos, mas o destino colocou um alemão no meu caminho. Sempre sonhei ter essa experiência, morria de vontade no colegial quando sabia de alguém que ia para os EUA fazer um curso de inglês. Ou intercâmbio de High School. Na faculdade eu ainda procurei por oportunidades, mas aí escolhi ter uma bolsa científica, assumi outros compromissos e não tive como ir. Mas colegas da minha sala foram, e eu babava nas fotos! Terminei minha graduação e entrei direto pro mestrado e perdi a idade de ser Au Pair. E acabei me consolando em fazer o doutorado sanduíche (já contei essa história aqui) na Califórnia, até que resolvi pedir a bolsa do doutorado pleno. Depois de conhecer minha orientadora e pensar melhor, eu estava disposta a vir fazer meu doutorado mesmo sem bolsa, arranjar um student job e estudar, por que não? Mas tive a oportunidade (e mérito) de ganhar uma bolsa do governo brasileiro. Alguém acredita que eu realmente estou preocupada com o que vocês pensam da minha vida de bolsista?
Antes de reclamarem tanto, lembrem das palavras do Papa Francisco dessa semana: “Vamos repetir juntos do fundo do coração: nenhuma família sem-teto! Nenhum camponês sem-terra! Nenhum trabalhador sem direitos! Nenhuma pessoa sem a dignidade que dá o trabalho”. Mais caridade quando falarem de famílias que precisam sim da “esmola” para ajudar (ou possibilitar) o sustento da casa. Que sim, ajudou a tirar o país do mapa da fome. Não interessa quem ou qual partido político inventou. Quer discutir sobre o assunto, criticar (para melhorar, não a crítica pela crítica), fiquem à vontade. Tenham menos ódio nesse coração de vocês. Mas por favor: voltem a postar coisas legais que preciso preencher meu ócio no trem, ultimamente tenho preferido dormir, porque ó, tá chato!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Düsseldorf: Kaiserswerth

Ruínas do Kaiserpfalz.
Kaiserswerth é um dos bairros mais antigos de Düsseldorf. Fica ao norte da cidade próximo ao rio Reno, e, na minha opinião, se não a mais, pelo menos uma das mais charmosas parte da cidade.
Para chegar lá basta pegar o metrô na Hauptbahnhof U79 direção Duisburg (DU-Meiderich Bahnhof) e descer na estação Klemensplatz, a viagem leva 22 minutos. A caminhada do metrô até próximo do rio já é um charme, construções antigas e cafés/restaurantes lotados em ruas de pedra. O lugar é realmente muito fofo!
Caminhando beira rio chega-se às ruinas do Kaiserpfalz (do alemão “palácio do imperador”), na verdade é um nome geral para os palácios secundários do imperador romano. Não se sabe exatamente quando foi construído, porém estima-se antes de 1016. Como era um lugar extremamente estratégico, a cidade de Kaiserswerth mudou regularmente de poder: passou por mãos alemãs, espanholas, francesas e holandesas em diversas guerras. Em umas dessas disputas de terra e poder, em 1702, a cidade foi inteiramente destruída e as pedras do palácio utilizadas para reconstruir a cidade, dessa forma perdeu seu grande status de fortaleza. Ainda assim, em ambas grandes guerras, Kaiserswerth foi conhecida pelo seu grande hospital militar, e tornou-se parte de Düsseldorf apenas em 1929.

Ruínas do Kaiserpfalz.

Ruínas do Kaiserpfalz.

Ruínas do Kaiserpfalz.
Depois de caminhar pelas ruínas e admirar a vista do rio e da natureza em volta, vale a pena sentar em uma das enormes mesas no Biergarten ao lado das ruínas para uma cerveja no verão, ou mesmo um chocolate quente no outono.

Vista de cima das ruínas.

E quem disse que Düsseldorf não tem praia?! O rio Reno tem praia sim senhor, com direito a pedras e conchinhas, mas a água é doce. E ainda dá para fazer uma caminhada super agradável pelo parque de Klemensplatz, admirando a paisagem, colhendo flores (e deixando o devido pagamento, apesar de não ter ninguém para controlar, funciona super bem aqui), frutas da estação e o que mais você quiser...

Praia do rio Reno.

Que tal colher flores? Os girassóis estavam lindos!

Parque com canal e vista do rio Reno ao fundo.

Dando boas vindas ao outono!!

Para a volta é só pegar o metrô em direção à Hauptbahnhof (Hbf), mas uma boa dica para quem está a passeio é embarcar pelo rio Reno até a Altstadt para passear pelo centro histórico da cidade. Tudo isso aqui, em Düsseldorf.

Embarcações pelo rio Reno.


Fontes históricas: wikipedia e folders de turismo de Düsseldorf.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Düsseldorf: Südpark e um pouco da Altstadt!



Rio Reno.
Prefeitura de Düsseldorf.
Já faz 6 meses que moro em Düsseldorf e ainda não escrevi sobre minha própria cidade! Explico: todos os meus posts sobre os outros lugares que visitei são superficiais, cidades que passei e tirei algumas fotos e paguei de guia turística, mas achei um pouco falta de respeito apresentar uma cidade tão linda (sim, eu adoro morar em Düsseldorf!) de forma tão pobre. Mas sempre tive em mente escrever não um, mas vários posts de vários cantinhos que me encantam na cidade.
Ainda tenho muito o que conhecer por aqui, mas pelo menos já conheço os principais lugares no centro histórico, alguns barzinhos, um pouco da vida noturna, vários pores do sol maravilhosos sentada beira rio... aliás, o que não falta é o que fazer na cidade! Pode ser qualquer dia da semana, ao passear pelo centro histórico você sempre vai ver MUITA gente! Turistas e locais caminhando pela Königsalle, lotando todos os bares tomando uma boa alt bier (cerveja local) ou mesmo sentados próximo ao rio com suas bebidas! E se quiser, toda semana você encontra algum evento cultural bacana, seja uma noite no museu (com entrada única para vários dos museus da cidade), festas culturais de algum país com comida, música, dança, etc. típicas, enfim, só fica em casa quem quer! É tipo uma SP, mas beeeeem melhor! Desculpa família, mas aqui eu saio com sistema público de transporte e posso voltar hora que eu quiser pra casa sem me preocupar em ser assaltada. E o sistema de transporte é TOP, funciona 24 horas não apenas aqui mas em todo estado. Aqui tem um mapa do transporte público pra vocês terem uma ideia (tenho um colado na minha porta!): preto e branco são as linhas de S-Bahn que são os “trens lentos”, U-Bahn são os metrôs e Straβe-Bahn são os trens “de rua”, ou os famosos "bondinhos". Ah, sem contar linha de ônibus!
Bom, quem vem para Düsseldorf com pouco tempo, não pode de jeito nenhum deixar de conhecer os lugares que citei: centro histórico (Altstadt) e Königsalle (rua famosa com diversas lojas de grife). Claro, precisa tomar a cerveja local (que eu particularmente não gosto, mas tem que experimentar) e caminhar perto do rio.

Canal da Königsalle
Com alguns dias mais, tem vários parques, museus e castelos não apenas em Düsseldorf quanto na região, e hoje vou falar especificamente do Südpark, o maior parque da cidade que tem apenas 70 hectares, é enorme, mas um baby comparado com os 307 hectares do Ibirapuera. É mega fácil chegar nele, são 2 estações de S-Bahn perto (Volksgarten e Friedrichstadt) e uma estação de metrô (Volksgarten). Logo na entrada do parque tem o “Zeitfeld”, tipo um "campo das horas", uma obra de arte de Klaus Rinke.

Zeitfeld.
São vários lagos em todo o parque com variedade de patos, cisnes e gansos, além de grandes espaços gramados com pessoal fazendo piquenique, churrasco ou simplesmente aproveitando os últimos dias de sol! No horizonte do primeiro lago é possível ver a Rheinturm (torre de telecomunicações), um dos cartões postais da cidade!

Alimentando as aves.
Lago com vista da Rheinturm.
Quem disse que é só no Brasil que tem farofeiro?!
Últimos dias de sol...
No centro do parque tem vários jardins temáticos com flores, plantas exóticas e mais mini lagos para apreciar e brincar de tirar fotos. Até enfim chegar ao final com o lago maior e uma mini fazendinha com animais para passar a mão e alimentar (precisa comprar a comida certa lá no parque, é proibido dar alimento próprio).

Jardins do Südpark.
Apreciando as flores...
Abelhas fazendo seu trabalho!
No meio dos bambus, sobre o lago.
Atenção: proibido nadar!
Olha o tamanho desse bacon!!
Depois de alguns segundos de medo...


domingo, 5 de outubro de 2014

Lago de Garda, Verona e Milão!

 [...] No fim chegamos super tarde em Verona, li algumas recomendações em blogs para ficar diretamente do lago de Garda, mas sinceramente só vale a pena se você estiver de carro e for conhecer várias cidades em volta, caso esteja só curioso para passar um dia no lago e tiver interesse também de visitar Verona, muito melhor ficar em Verona mesmo!
Bom, decidimos ficar em Peschiero del Garda, hotéis lá são mais em conta e está no meio do caminho entre Verona e as outras cidades em volta do lago. Conseguimos um hotel bem localizado direto no centro e saímos para jantar e conhecer a cidade. Primeira coisa que percebi lá é que tem mais alemão que italiano. Sério! Parece uma colônia de férias particular alemã! Caminhamos em torno do lago com trovão e relâmpago (super animador para quem queria curtir um dia de sol), de repente, fomos presenteados com 10 minutos de fogos de artifício!
Peschiero del Garda.
Depois de um café da manhã com direito a croissant com nutella e cappuccino, saímos pela orla do lago procurando o melhor lugar para tomar um pouco de sol (o dia amanheceu incrivelmente lindo), mas as “praias” eram muito pequenas, e o espaço que tinha estava abarrotado de gente. Depois de finalmente perceber que não tinha nada interessante por lá, fomos pegar ônibus de volta para o centro de Peschiera, mas o sistema de transporte é ridículo e ficamos 1 hora esperando! Depois tivemos que trocar o ônibus para Sirmione. Apesar da “praia” lá ser bem melhor, também estava mega lotada, foi difícil achar um pouco de sol no meio do gramado e oliveiras, apesar da paisagem ser bem exótica, o gramado pinicava e tinha muitas formigas. O lago é cheio de pedras e é preciso estar calçado para entrar na água, pois são bem afiadas. A água é incrivelmente gelada (óbvio), mas me recusei a não entrar pelo menos um pouco. No fim você se acostuma, deu pra me refrescar e me sentir finalmente em meio a férias de verão!
Orla do lago de Garda em Peschiero D/G.
Sirmione.
Oliveiras em torno do lago.
Vista do lago do mirante em Sirmione.


Pôr do sol no Lago de Garda.
Dia seguinte caiu o mundo, nem que a gente quisesse daria para ir de novo para o lago. Esperamos passar um pouco e pegamos o ônibus para Verona. Achei a cidade ainda mais fofa que Florença! Fomos visitar a “Casa di Giulietta” e caminhamos pela cidade. 
Ponte sobre o Rio Adige, Verona.
Arco dei Gavi, Verona.
Casa di Giuletta.

Jantamos e fomos para o Coliseu assistir a ópera “Romeu e Julieta”. Fiquei apaixonada! Porém confiei demais no calor dos últimos dias, o Coliseu é aberto e a ópera dura em torno de 3 horas, passei um frio lascado com o sereno! Saindo de lá pegamos o ônibus especial pós-espetáculo para as cidades do Lago de Garda, nos certificamos antes se ele existia ou não poderíamos ficar, pois o último ônibus partia às 19h. Achei muito mal estruturado por ser uma região tão turística!

Coliseu de Verona
Ópera: Romeu e Julieta.
Ópera: Romeu e Julieta.
Ópera: Romeu e Julieta.
Ópera: Romeu e Julieta.
Ópera: Romeu e Julieta.
Finalmente no último dia pegamos o trem até Milão onde pegaríamos nosso avião de volta para Düsseldorf. Mas chegamos cedo e tivemos algumas horinhas para conhecer o centro da cidade. A catedral de lá me lembrou muito a da cidade aqui perto – Colônia, mas bem mais clarinha. De novo, fila gigante e não pude entrar para ver por dentro. Gente, qual o problema dos italianos? Essa mesma catedral de Colônia é muito mais famosa e perdi a conta de quantas vezes entrei nela ou passei em frente e NUNCA vi uma fila!
Catedral de Milão.
Milão é bem mais moderna, não é uma cidade tão turística, e sim mais para fazer compras (pelo menos quando se tem dinheiro). Fomos para o aeroporto, já meu conhecido quando fiz minha primeira escala na vida indo para Paris. Nosso voo atrasou quase 2 horas e depois tivemos que esperar mais quase isso pelo trem pra casa, fui trabalhar no dia seguinte desejando novas férias para descansar dessas!

sábado, 4 de outubro de 2014

Florença

Como disse no post anterior, saímos de Roma sem hotel e sem destino, mas resolvemos ficar um dia em Florença, capital da Toscana, para descansar antes de seguir viagem. Andamos em volta da estação de trem e encontramos diversos hotéis, realmente lá não é nenhum problema.
A cidade é muito fofa, passamos em frente à catedral e fiquei um tempão embasbacada, gente, o que é aquilo?! LINDA, LINDA!! Caminhamos em direção ao rio Arno e vimos a famosa ponte Vecchio com as lojinhas dos ourives. Diz a lenda que na segunda guerra mundial não foi destruída por ordens direta de Hitler, por ser tão bela! Compramos uma cerveja e sentamos em uma praça abarrotada de turistas (PS: os quiosques não podem vender álcool pós 22 horas para beber na rua, ou seja, é bom ter um abridor de garrafas com você ou saber abrir de outras formas). E antes de voltar para o hotel, fomos para um bar experimentar o tal aperol spritz: vinho branco, água com gás e o licor aperol (mix de laranja e infusão de ervas) com gelo e finalizando com uma fatia de laranja. É bem amargo, e definitivamente não tomaria de novo.

Ponte Vecchio.
Cerveja italiana com vista da Ponte Vecchio.

Acordamos em Florença e saímos para ver a cidade à luz do dia. Continuei apaixonada e decidimos que um dia voltaremos lá como ponto de partida para conhecer a Toscana. Foi lá que tomei o melhor cappuccino da Itália, super cremoso! Conhecemos o "Mercato Centrale di Firenze", deu vontade de comprar tudo, vários tipos de massa, molhos, temperos, carnes, doces.... e tiramos mais várias fotos da cidade, eu queria entrar na catedral, mas a fila estava gigantesca, como sempre em tudo na Itália. E como tínhamos pouco tempo, preferimos passear e dar uma última olhada na cidade antes de ir embora.

Mercado Central.

Catedral de Florença.
Ponte Vecchio à luz do dia.


Almoçamos e continuamos nossa saga: FLORENÇA >> PRATO >> BOLOGNA >> VERONA. Caso precise pegar trem na Itália e faça conexão em Bologna, cuidado, a estação é gigante, quando chegamos de Prato descemos na mesma plataforma que seguiria para Verona, porém na mesma plataforma você tem leste/oeste/central - e não prestamos atenção nisso. E claro que pegamos o trem errado e quase voltamos para Prato! Sorte que percebi a tempo e fomos só duas estações para trás, mas perdemos nosso trem para Verona e ficamos 1 hora em um café em frente a estação esperando o próximo! Próximo post: Lago de Garda e Verona.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Roma e Vaticano


Em Veneza, fomos para a estação de trem comprar nosso ticket para Roma. Era tarde e não tínhamos local pra ficar ainda, então não tivemos muito que pensar e pagamos o preço por isso, pagamos 80 euros por pessoa, e sim, é muito caro! Pagamos menos da metade no caminho de volta só por comprarmos trecho por trecho pelo trem regional. Pelo menos a viagem foi rápida e tinha internet no trem, conseguimos encontrar um “Bed&Breakfast” super em conta com ranking "soberbo" no Booking.com (RomAntica). Mas não conseguimos fazer reserva, então resolvemos ligar quando chegássemos em Roma. Claro que o recepcionista não falava inglês e nem meu namorado e nem eu conseguíamos entender o que ele falava e nem nos fazer entender, aí o funcionário do trem passou e demos o celular pra ele já desesperados!! Foi nossa salvação, pois já eram 23h e mais de 80% dos hotéis já estavam reservados!!
Quando deu tudo certo o funcionário explicou pra gente como chegar lá e mandou a gente se apressar, pois 23h30 é o último horário de metrô (como assim, achei que a cidade fosse super turística!), e teríamos que fazer conexão! Estávamos na estação Pirâmide, e juro que fiquei com medo. A estação é gigante com corredores longos, estava completamente vazia com exceção de algumas pessoas com saco de dormir pelo corredor, e o medo de ser assaltada (brasileira, e nem vem que a Itália não tá tudo isso no sentido segurança) era predominante! Trocamos em Roma Termini e fomos sentido Octaviano, quando saímos vi os muros do Vaticano, meu joelhos até amoleceram!! Andamos poucas quadras e o casal dono no B&B estava na calçada esperando a gente chegar, estavam preocupados com a gente e fizeram toda linguagem de sinal possível pra explicar tudo, e naquele momento entendi porque a classificação deles é tão alta! É basicamente um apartamento com 3 ou 4 quartos e só os dois trabalhando lá, além de uma moça que vai para limpar o lugar todos os dias. E o atendimento é sensacional! Super recomendo!.

Coliseu.
Coliseu.
Dia 1: tomamos café e pegamos metrô direto pro Coliseu. Ficamos quase 1 hora na fila, mas valeu a pena. Compramos o ticket combinado para o Fórum Romano, porém se fosse hoje faria diferente: geralmente todo mundo vai pela manhã nas principais atrações turísticas, e a fila no Fórum Romano é MUITO menor, valeria a pena ir primeiro lá e também comprar ticket combinado para Coliseu e economizado tempo na fila, mas tudo bem. Depois de visitar o Coliseu, passamos pelo Arco di Constantino e fomos almoçar. Quanto à comida, confesso que fiquei beeeem decepcionada, comer perto desses lugares turísticos geralmente significa pagar caro e geralmente a comida não é boa. Quando o preço é mais em conta, geralmente vem bem pouca comida e você precisa pedir algo mais. E na Itália geralmente come-se uma entrada e depois o prato principal, se você ficar com um ou outro, logo estará com fome de novo. E esquece, jamais vai ficar menos de 20 euros a refeição (para um casal). E para conseguir esse preço tem que ter paciência e procurar um pouco, ou vai custar muito mais! E sério, pagar mais que 8 euros em um prato pequeno de penne com pesto é muito desaforo!



Arco di Constantino.


Depois de almoçar voltamos para visitar o Palatino e Fórum Romano. É enorme, e custa bastante tempo de caminhada e fotos que você não entende muito bem o que poderia ser aquilo (em ruínas). Mas nem por isso você deixa de perceber a majestade e organização das construções de séculos antes de Cristo! É impressionante!

Palatino

Palatino.
Palatino.



Palatino.

Tempio di Romolo.

Tempio di Antonino e Faustina.
Foro Romano.
Foro Romano.

Saímos de lá exaustos e voltamos para o hotel para tomar um banho e descansar um pouco. Aproveitamos que estávamos do lado do Vaticano e saímos sem rumo pelas ruas. Ao chegar em frente à Basílica de São Pedro, fui arrepiando toda. Juro que chorei um pouco, mas é emocionante chegar em frente ao lugar dos seus sonhos, sem contar que o lugar emana espiritualidade!


Basílica de São Pedro.


Basílica de São Pedro.
Emoção à flor da pele!

De lá caminhamos de volta para o centro de Roma, passamos pelo Castelo de Sant'Angelo, construído em 139 d.C. para ser um mausoléu do imperador romano, que acabou virando uma fortaleza e, por fim, propriedade papal, com o famoso corredor que o liga até o Vaticano! Sem querer encontramos uma feirinha noturna com comida, livros, souvenires, etc., olhamos tudo com calma, compramos uma cerveja (italiana!) e sentamos no parapeito do Rio Tibre com vista para o castelo e a basílica ao fundo. Ah, e tinha um moço tocando jazz com uma placa em frente “preciso de dinheiro para consertar minha máquina do tempo e voltar para os anos 50”. Aliás, o que tem de músicos pela cidade, gente tocando instrumentos, fazendo qualquer coisa por um trocado é fora do sério. No metrô pela manhã tinha até um menino tocando Michel Teló! Continuamos caminhando pelo centro onde comi o pior Spaguetti a carbonara da minha vida, acho que foi feito um dia antes e ele colocou rapidinho no micro-ondas pra me servir!

Castelo Sant'Angelo.
Vista do Rio Tibre e do domo da basílica.

Dia 2: após café da manhã: VATICANO! Quase caímos no conto dos “guias” de viagem para furar a fila de tudo (as filas na Itália desanimam qualquer turista que não tenha coragem de acordar 7 horas da manhã para reservar seu primeiro lugar na fila – e desculpa, de férias acordando cedo? Nem morta!). Eles te oferecem Basílica + Museu do Vaticano sem fila por 40 euros por pessoa, sendo que a basílica é de graça e pagaríamos 32 euros pelo museu (para nós dois – também sem fila)! No site você pode comprar seu ticket com reserva de horário, e por mais 4 euros você corta fila, mas como era só com cartão de crédito, ficou impossível pra gente. Porém, dentro da basílica, tem um balcão que você também pode comprar pelo mesmo preço do site e também furando fila, mas lá é só no dinheiro!! Fiquei mega feliz!!! Pois juro que não teria coragem de enfrentar duas filar gigantescas no mesmo dia. A fila da basílica me surpreendeu, apesar de estar cruzando a praça inteeeira, durou apenas 25 minutos, só tem que ficar esperto com um povo folgado querendo entrar na sua frente toda hora, às vezes famílias inteiras!! Primeiro você passa pelo sistema de segurança e depois pelo controle, e não adianta, calor ou não, vá com roupas apropriadas, nada de mini shorts ou camiseta regata, leve lenços, se esquecer sempre tem alguém em volta vendendo! 
Basílica de São Pedro.
A basílica é linda! A mais linda que já vi na vida! Depois de ficar vários minutos boquiaberta olhando tudo em volta, finalmente comecei a prestar atenção nos detalhes. A primeira coisa que você vê é a famosa escultura de Michelângelo: Pietà. Continuando pela direita, está o túmulo do nosso peregrino do amor: o Santo Papa João Paulo II. E próximo do altar a esquerda tem uma escadaria para ver também o túmulo de vários outros papas. Mas sério, lá descobri que os italianos não falam inglês, mas mesmo que não entendam, eles fingem que entendem e respondem qualquer coisa. Queria saber como chegar no túmulo dos papas, depois onde estava o túmulo do João Paulo II que não estava no andar inferior com os outros papas, eu não percebi que estava logo do lado da entrada, e fiquei indo de um lado pro outro que nem tonta perguntando para todos os seguranças o caminho e cada um respondia alguma coisa completamente diferente! Só não me importei muito porque apesar de tudo, estava dentro da Basílica de São Pedro. Tem como ficar de mau humor num lugar desse?!

Pietà, de Michelangelo.
Altar da Basílica de São Pedro.

Túmulo do Santo Papa João Paulo II.
Abrimos mão de subir no domo, a fila estava ainda maior que para entrar na basílica! Fomos almoçar e voltamos para ver o museu – lotado! Apesar de não ter que enfrentar a fila, lá dentro não tivemos oportunidade de apreciar nada, você vai sendo levado pela multidão! Mas tudo bem, porque meu objetivo era chegar na Capela Sistina! Por favor, faça um favor a si mesmo e aprecie tudo em silêncio! 3 em 3 minutos os seguranças precisam pedir silêncio de novo e de novo, porque claro que ninguém respeita. E não pode tirar fotos! E se te pegarem, vão fazer você apagar. Ninguém precisa passar por essa humilhação, tem placas em todo lugar falando que é proibido, então não adianta falar que não sabia. Apesar dos seguranças parecerem meio mal humorados, arrisquei perguntar a um deles onde saia a fumaça após a escolha do papa, e ele me mostrou o lugar de super bom grado, em uma das janelas. Infelizmente não tem nada explicativo sobre isso, então me recusei a sair de lá sem a informação.

Museu do Vaticano.

Escadaria da saída do Museu do Vaticano.
Ao sair do museu, pegamos o metrô para Babieri para ver a Fontana di Trevi, ao invés de irmos pela avenida, nos arriscamos pelas ruazinhas antigas e estreitas com comércio e restaurantes super fofos! Infelizmente a Fontana di Trevi estava sendo restaurada e não pudemos jogar nossa moeda de costas pedindo para voltar à Roma. Mas ainda assim me surpreendi pelo tamanho dela, muito maior que imaginava!  Continuamos caminhando sentido Pantheon (lindo, enorme e muito antigo!), lá dentro está a tumba de Rafael! A igreja mais singular que vi na vida, não sei como descrever melhor.

Pantheon


Continuamos caminhando até a Piazza de Novona. De lá chegamos de novo no Castelo de Santo Ângelo e caminhamos beira rio, passando pelo Mausoléu de Augusto até que chegamos na Piazza del Popolo. Seguimos pela avenida principal de Roma, a via del Corso até a estação Spagna e voltamos para o hotel. Saímos depois do banho para comer pizza e tomar gelato ao lado do Vaticano, um lugar chamado Old Bridge, super recomendado pelo TripAdvisor que tinha uma fila gigante, e realmente, uma delícia!

Dia 3: arrumamos as coisas e, depois do café da manhã, fizemos check out, mas deixamos nossas coisas lá para voltar ao Vaticano para a audiência com o papa. Mudaram o lugar (não foi na praça S. Pedro) e achei que tivesse sido cancelada, mas vi no site que aconteceria normalmente, e claro, os italianos são ótimos para dar informações em inglês, então ficamos que nem bobos indo pra lá e pra cá. Mas finalmente encontramos uma aglomeração e fomos mais perto e, depois de 3 horas e vários momentos em que quase fomos embora, finalmente VIMOS O PAPA!! Quando ele apareceu não tive chance nenhuma, todo mundo ficou enlouquecido e fiquei desesperada pulando e tentando me enfiar entre as pessoas, não acreditava que tinha esperado tanto tempo e não ia conseguir nem vê-lo de longe! Mas finalmente ele foi para o outro lado e abriu uma fresta onde eu estava e uma senhora deve ter ficado com pena e me puxou para eu vê-lo também, fiquei tão emocionada que aí que chorei de verdade, gente, ele é lindo! A mesma senhora que me puxou também estava emocionada, e me abraçou enquanto a gente via ele se afastando, parecia o amor dele sendo transferido para as pessoas em volta... Roma não poderia ter sido mais perfeita! 

Papa Francisco.
Voltamos para buscar nossas coisas, nos despedimos do casal do hotel e fomos almoçar. Então seguimos para Roma Termini e compramos ticket para Firenze (Florença) – por 20 euros por pessoa, bem mais em conta! Foram 4 horas de viagem, de lá seguiríamos para Verona, mas então decidimos dormir um dia lá e continuar no dia seguinte. Decisão feliz que eu continuo no próximo post!